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sábado, 3 de julho de 2010

Relato de Uma Viagem à Terra de Mangue Seco (com pescaria, claro).

Desde ontem depois do jogo Brasil e Holanda que não pára de chover aqui no Principado de Stella Maris e em Salvador. Daqui a pouco completamos 24 de chuva contínua, coisa muito rara por aqui.

Aproveitei para postar aqui no Blog a excelente viagem que fizemos a Mangue Seco no feriado de Corpus Christi, no início do mês de junho.

Mangue Seco é a última praia do Litoral Norte da Bahia, na divisa com o Estado de Sergipe, e basicamente é uma vila de pescadores, cuja população não chega a 900 pessoas, do Município de Jandaira . Embora o nome verdadeiro seja Vila de Santa Cruz da Bela Vista, a maioria desconhece este nome, principalmente quem a visita, focado no Romance de Jorge Amado "Tieta do Agreste".

Embora ao final do romance fique uma idéia de que a volta de Tieta trouxe prosperidade a vila com a chegada da luz elétrica, pouca coisa mudou para os habitantes locais pois o potencial turístico não é explorado por eles e como não há ações para a exploração do potencial turístico pelos nativos, esses acabam trabalhando barato e informalmente para empresários e vendendo a esses suas terras e benfeitorias.

Hoje lá todo o turismo centra-se no romance do Amado Jorge e esquecem que o local é de uma beleza única e que poderia ser explorada comunitariamente de uma forma moderna, onde o fato de ter sido local de um livro, uma novela e filme seria apenas mais um detalhe. A próxima geração talvez não se interesse por "Tieta do Agreste", mas se interessará por um local bonito, com boa estrutura e um pouco de aventura.

Mas vamos ao relato, convidado pelo Marcos Régis e pelo Arno, dois colegas de trabalho que também fazem rally, são navegador e piloto, respectivamente, inclusive com algumas boas colocações no Mitsubhi Motors e Copa Troller, aceite e convidei também o pescador Roberto Martins, já que nós todos temos em comum o fato de termos um jipe. Convidei também o Bruno, namorado de miha filha. E ficamos assim:
  • Eu, Lindinalva, Bruno e Ana Luiza
  • Arno, Aldeisa e os dois moleques
  • Marcos Régis e Catherine
  • Roberto e Ângela

Saímos de Salvador as 8:00 no dia 3 de junho e nos reunimos em um posto (BR, claro) na Estrada do Côco. De lá seguimos em comboio para a Vila de Costa Azul, a 210 km de Salvador. A viagem pela Estrada do Côco até lá é tranquila, e transcorreu sem problemas. A entrada para a Vila de Costa Azul fica um pouco escondida e por pouco não passamos dela sem notar. A estrada para a vila está em péssimo estado, tinha chovido e o Arno e seu filho, João Pedro, se divertiam para valer com as derrapagens. Comentei pelo rádio que eles estavam "felizes como pintos no lixo" com a situação.

Como nossa opção foi não ir pela praia, na entrada da Vila pegamos uma estrada para o norte e paramos na entrada da trilha que é conhecida pelo Arno. Iniciamos a trilha e nos deparamos com muita areia, que apesar da chuva estava pouco adensada e com um grande "camaleão". Devido a isto, rearrumamos a fila e passei a ser o último do comboio por ter o carro mais alto. Mas problemas mesmo só tivemos com uma travessia de riacho, uma vala na verdade, mas que foi transposta ao acionarmos a reduzida. Atrilha toda é muito bonita, alternando a beleza de margens de rio, de mangue e de areal com vejetação.
A fragilidade deste ambiente nos faz pensar nos cuidados que devemos ter ao passar nela, nos mantendo estritamente no local já "batido" pela passagem do tráfego, sem criar novos caminhos. Aliás, nesse aspecto, 5% de maus offroaderes (praticante de trilhas) conferem péssima fama aos outros 95%. A leitura e o estrito seguimento do "Princípios de Ética do Off Road Brasileiro" de Nelson de Almeida Filho, clique aqui para ler, deve ser obrigatória para todo offroader.

Por volta das 11:00 horas chegamos em Mangue Seco. Fomos para a Pousada Suruby onde deixamos a bagagem acomodadas nos quartos e fomos para as dunas e para a praia, onde almoçamos, na Barraca da Inês. Pedimos três pratos, dois de peixe (robalo) e um de camarão, que foram servidos a dez adultos e duas crianças com porções muito generosas e a um preço muito razoável. A parte da praia que é acessível a maioria dos offraderes ainda é explorada pelos nativos que servem bem e a preços muito justos. As fotos estão a seguir.
Ficamos papeando após o almoço e fomos para o último pedaço de praia do Norte da Bahia. Três horas depois esse local estava com dois metros de água.
Mas, finalmente, vamos a pescaria. Como na praia o mar estava revolto, com muito vento, não tivemos como pescar. Fomos para a pousada que fica próxima a foz do Rio Real e no finalzinho da tarde montamos nossas varas. Eu, Roberto Martins, Marcos Régis e Bruno adentramos pela noite pescando e veja nas fotos abaixo o que andamos pegando.
Fora um ou outro peixinho, os muçuns atacavam para valer as nossas iscas de pititingas e camarões. A vara dava uma "batida" e ficava presa, nos obrigando a puxar com força. Descobrimos então que o danado do muçum se enterra na areia/lodo a partir do rabo e fica apenas coma a cabeça de fora, como na foto ao lado. É muito interessante ver como o bichinho ferrado vai se enterrando. Soltamos a maioria, mas alguns se enrolaram na parada (chicote) e tivemos que cortá-los. Nesse momento verificamos que o bicho é carne pura.

Nesta noite, fizemos um churrasco na área livre da pousada e ficamos conversando e bebendo até tarde. Antes de dormir tomamos, eu e o Roberto, um gélido banho nas águas salobras do rio.

Na manhã seguinte, sexta feira, acordamos cedo eu e o Roberto e enquanto conversámos no jardim da pousada apareceu o proprietário e nos convidou para pescar embarcados em um naufrágio ali perto. Ele explicou que era um navio a vapor que transportava açucar das fazendas e naufragou. Os destroços são frequentados por mergulhadores e é um ótimo pesqueiro. Explicou-nos também que a cidade no século dezenove ia até próximo onde o navio naufragou e que a água e a areia tomaram conta. Também nos disse que comia o muçum frito e que o aspecto e o gosto são muito parecidos com batatas fritas. O Roberto lamentou ter soltado tantos e ter dado para os gatos os que cortamos.

Tomamos o bom café da manhã da pousada e como Marcos Régis, Arno e Bruno ainda não tinham acordado fomos só eu e o Roberto. Abaixo as fotos.
O dia estava ruim para pesca. Em três horas pescamos apenas seis peixes aproveitáveis, uns vermelhos de cerca de 150g cada. Retornamos e montamos a churrasqueira e almoçamos. Iríamos voltar todos neste dia, mas o Roberto e eu, inconformados com o mau resultado das pescarias resolvemos ficar mais um dia. Arno e Marcos sairam as 14:00 e foram pela praia, na maré baixa. As 18:00 chegaram em Salvador.

Na manhã seguinte, sábado, acordei as 07:00 horas e já encontrei o Roberto e o Bruno pescando. O Roberto capturou este Baiacu Domdom de mais de 1 quilo. Eu o observava na hora que "bateu" e o conjunto que ele pescava, uma vara Shimano FX de 1,9m com uma carretilha Daiwa Exceler 100, ampliou a briga com o peixe. Olha a foto do bicho ai.
Tomamos café da manhã na pousada, fechamos a conta da pousada e fomos para a praia pescar. O vento e o mar estavam furiosos e em duas horas de pescaria, das dez as doze horas, peguei apenas uma betara (perna-de-moça), mas de bom tamanho. Almoçamos na barraca da Inês, onde comemos uma excelente carapeba ao molho de camarão.Tivemos também na semana seguinte o aniversário do Roberto Martins. Fomos convidados e o tema da festa (sim, marmanjão também tem festa temática) preparada pela sua famíla adivinha qual era: veja por si mesmo nas fotos.
Felicidades, companheiro. Muitos anos de vida com muito sucesso e muitas pescarias.

As fotos sâo de Roberto Martins, Marcos Régis e minhas.

Há, sim, antes que eu esqueça, o título da postagem é uma alusão ao livro História de Um Viagem a Terra do Brasil, de Jean de Lery, do século XVII.




3 comentários:

  1. Fantastico relato...tenho interesse em ir pelas bandas de lá.
    Leio sempre seu Blog..Vc escrete bem.
    Um abraço.
    Alessandro (o do robalo de sauípe),

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  2. Do robalão de Sauípe e também das varas raras. Obrigado pelo comentário, Alessandro. A Pousada Suruby faz roteiros de pesca pelo Rio Real e o seu proprietário, Nézinho, é um pescador inverado e ótima companhia. Já a pesca de praia só é boa de Costa Azul até o navio afundado. Depois fica muito raso.

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  3. Companheiro, parabéns pelo relato... durante a leitura deu saudades. Quando voltaremos lá?
    Obrigado valeu!

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