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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Diário de Carretilha

Usando Pela Primeira Vez Uma Carretilha.

Primeiro Dia

Participei recentemente de uma discussão na Comunidade Pesca de Praia de nosso amigo Júnior sobre qual equipamento arremessa mais longe, se a carretilha ou se o molinete.
Foi uma discussão de ótimo nível e bem educada e embora eu tenha saído convencido de que o molinete arremessa mais longe que a carretilha quando não há limitações de espessura de linha, líder e chumbada, quero comprovar na prática essa conclusão a que cheguei. Devo levar uns seis meses para poder emitir tal opinião e esse é o primeiro passo.

A carretilha
Adquiri uma carretilha Marine Sports Caster 400 5BI, de perfil alto e com capacidade de 190 metros de linha 0,40 mm. A escolha da Caster foi por ela ser uma cópia chinesa da sueca Abu Garcia Ambassadeur C4, muito bem falada na NET. Enquanto que a Abu custa quase R$ 400,00 a Mariner custa R$ 110,00 e há na NET depoimentos positivos quando a sua usabilidade. Embora, por ser nova, nada há quanto à durabilidade, mas irei descobrir. Nesse momento o valor investido, já que posso simplesmente desistir e deixar de usar, é coerente.

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A linha
Nesse momento preferi usar uma Dayama MAX 0,47, que uso para confecção de paradas (chicotes), por ser uma linha macia, de pouca memória, e fácil de desembaraçar em caso de “cabeleira”. É também recomendação dos mais experientes no uso da carretilha que não se use de imediato linhas mais finas, pois, ao contrário do molinete, a carretilha abastecida com linhas mais finas dificulta em muito seu uso. Usei uma cama de linha 0,30 que veio com molinetes que comprei. Ao colocar os 100 metros da MAX por cima da cama, a linha ficou na borda do carretel, então rebobinei a MAX, diminui a cama e bobinei novamente a MAX, a qual ficou agora a cerca de dois mm da borda do carretel.

A vara
O maior problema para o uso da carretilha em pesca de praia é a falta de opção de varas originalmente construídas para esse equipamento. Verdadeira “perna de cobra”.
Sendo assim, minha intenção é instalar passadores Low Rider em uma vara Wonder Coral de 4,20m e casting de 150-250g com espaçamento suficiente para uso com molinetes e carretilhas. A escolha foi pelo fato dessa vara já ter tido comigo dois eventos de enrolamento de linha nos passadores após lançamentos mais vigorosos com chumbadas de 150g. Desta forma estaria resolvendo dois problemas de uma só vez. O problema é que chegou a carretilha e os passadores ainda não.
Peguei então a vara Killer 4,05m que tenho, instalei a carretilha e fiz o teste levantando um balde com 4 litros de água (quase 5 quilos, portanto) e a linha comportou-se perfeitamente bem, sem tocar o corpo (blank) da vara. O alinhamento da saída da linha no devanador da carretilha com o centro dos passadores também é perfeito, sem ocasionar nenhum ângulo na linha. Resolvido: a Killer de 4,05 m recebeu muito bem a carretilha.

A regulagem
Considero esse ponto o mais importante. Não efetuar a correta regulagem do freio mecânico da carretilha com o chumbo e isca que vão usar é fator principal do abandono do uso de carretilhas pelos iniciantes.
Segui a risca o procedimento de regulagem que encontrei no site www.pescaeturismo.com.br . Faça uma visita ao site, vale à pena.
O texto é assinado por Marcio David e com agradecimentos à Magic Fishing School (Nelson Nakamura), e a parte da regulagem está transcrita abaixo:
-Montado o equipamento (vara, carretilha, linha e isca), deixe a vara na horizontal, na altura dos ombros, feche totalmente o freio mecânico e destrave o carretel. A isca deve ficar perto da ponteira da vara, pois o freio está fechado. Solte vagarosamente o freio mecânico até que o carretel gire e a isca desça suavemente até o chão/água. Para uma regulagem perfeita, quando a isca tocar o chão/água, o carretel deve parar de girar.

Desta forma o arremesso vai ser mais curto, porém com menor possibilidade de fazer “cabeleira” s. Com muito treino e adaptação ao equipamento, pode-se soltar o freio mecânico deixando o carretel totalmente solto, possibilitando um arremesso bem mais longo. Nesse caso o controle do freio é feito com o dedo polegar sobre o carretel.
Procedi conforme o texto acima usando uma chumbada piramidal com 125g FQ (Fundo de Quintal). Na primeira vez que fiz causei a tal da “cabeleira” e para desembaraçar usei uma caneta. Mais tarde vi em alguns sites que os pescadores levam agulhas de crochê em suas tralhas para tirar as “cabeleiras”.
Ao aumentar a ação do freio verifiquei que, mesmo com o freio mecânico fechado ao máximo, a chumbada não ficava presa, mas descia não muito suavemente até o chão. Como ao tocar o solo o carretel não girava, dei-me por satisfeito. Repeti várias vezes a operação até que a ponta da chumbada ficou rombuda. Mal podia esperar o dia seguinte para usar a carretilha.


Segundo Dia

Treinando na Praia
O dia, domingo, não amanheceu com tempo muito bom. Da janela eu via os coqueiros mais altos do condomínio com as folhas vergadas para o noroeste, sinal que o vento sudeste entrou com tudo. Aguardei o vento diminuir e lá pelas 8h30m o vento diminuiu um pouco, peguei três varas, dois molinetes, três esperas (secretárias), a carretilha, a pititinga (manjuba), e fui andando para o Buraco do Padre.
A intenção era jogar as linhas de duas varas com os molinetes na água e ficar com a carretilha na areia, treinando, já que desta forma eu estaria a 90º em relação ao sentido do vento, sem sofrer sua ação direta.
Ao chegar à praia, a decepção: O sargaço entrou com tudo, e a maré vazia mostrava uma grande quantidade de sargaço na areia. Embora nas ondas eu não visse sinal de sargaço, larguei o cofo e as varas em uma pedra alta, montei a carretilha e prendi chumbada direto na linha, sem a “parada”.
No primeiro arremesso a surpresa: o controle foi total. Mandei o chumbo a uns 50 metros, e ao vê-lo tocar o solo apertei o carretel com o polegar. Nada de cabeleira. Animei-me.
Repeti o arremesso várias vezes aumentando sempre a distância e com controle total. Arremessei com um metro de linha na ponta da vara, como se fosse uma “parada”, depois dois metros, sempre por cima da cabeça, como se estivesse com o molinete, a distância aumentando e nada de cabeleira. Cheguei a cerca de noventa metros, pois dava para ver a linha branca abaixo da emenda dos 100 metros da MAX 0,47, que é verde. Continuei insistindo, mas não passei dos prováveis 90 metros. Para isso eu teria que abrir o freio mecânico, mas não queria arriscar esse exitoso dia. Apesar do tempo horrível eu estava contente. Nada de “cabeleiras”.
Algumas constatações:
  • A killer original de 4,05 é ótima para carretilha, único senão é o pegador (real set) cujos passos da rosca incomodam a mão no recolhimento.
  • Aliás, se não fosse o recolhimento da linha com a carretilha um verdadeiro tormento, a partir de hoje consideraria não mais usar molinetes.
  • A manivela da carretilha, miudinha, não ajuda e piora em muito o “tormento do recolhimento”.
  • A precisão é muito maior com a carretilha. Coloquei uma garrafa PET a 90 metros, dei o desconto do vento lateral e 80% das vezes lancei a cerca de um, dois metros da garrafa, ora á esquerda, ora à direita, ora antes, ora depois
  • Com a carretilha, em arremesso por sobre a cabeça (over head cast), é necessário que o pegador (realset) fique cerca de 20 cm acima da distância para um molinete. Considerar usar pegador regulável, como o das varas da DAM, nas varas de uso misto, molinete e carretilha.
Com esse sucesso no treinamento fiquei encorajado a realmente pescar, mesmo contra o vento, o que seria um segundo desafio.

Pescando na Praia
Peguei uma parada, isquei e usei o mesmo chumbo do treinamento. Lancei, quando chumbo bateu na água, freei o carretel com o polegar e... voilà, uma beleza! Embora o vento contra tenha reduzido a distância, o lançamento foi perfeito. Recolhi e lancei com mais força, jogando no primeiro canal de dentro, o qual estava a uns 60/70 metros. Fiquei pescando, recolhendo em intervalos de 10 minutos e peguei o primeiro peixe com a carretilha, um barbudinho (parati) de 30 cm. Depois o segundo, uma aratubaia (pampo galhudo) de uns 15 cm. Coloquei os dois em uma poça em cima da pedra, pois se não pescasse o suficiente para uma fritada iria soltá-los. E fique até as 11h30m sem mais nenhum peixe. Soltei os peixes que estavam na poça.
Devo ter feito uns trinta arremessos no seco e uns dez na água, todos sem “cabeleira”.

Conclusão do segundo dia
Certamente a experiência que tenho com o uso de molinetes e a preparação prévia que fiz para usar a carretilha ajudaram em muito para o sucesso da experiência, mas acredito que o equipamento, uma moderna versão de carretilha de lançamento recente, e o seu freio centrífugo, ajudaram muito. A partir de hoje a carretilha será incorporada à minha tralha e passarei a investir no seu uso com linhas mais finas, soltando o freio mecânico para aumentar as distâncias e buscando manivelas maiores.


Terceiro Dia

A preparação
A segunda feira amanheceu pior que o domingo, com uma forte chuva e voltei a dormir. Acordei pelas sete horas e tratei de substituir a linha da carretilha por uma mais fina. Retirei os 100 metros da MAX 0,47 e bobinei no carretel original para uso posterior e coloquei 150 metros de Red Spider 0,35. Ficou um pouco alto, então retirei 25 metros que posso usar para fazer nós de correr em paradas (chicotes).
As 09h00m o sol abriu. Peguei um chumbo tipo míssil de 125 gramas, as varas Killer e Coral, carretilha e um molinete, demais tralhas e uma pititinga pré-histórica (três meses de congelada) e fui à luta.

Na praia
Assim que chequei peguei a vara Coral com molinete e lancei a linha na água e montei a carretilha na Killer.
Surpreendentemente tinha mais gente na praia hoje que no domingo. Como o Buraco do Padre está com as pedras expostas, só posso lançar na direção nordeste, em direção ao Hotel Catussaba, e passeavam por lá alguns hóspedes do Catussaba.
Mesmo assim ainda fiz uns três arremessos e constatei que a distância mesmo com a chumbada aerodinâmica e a linha mais fina não tinha mudado muito. Contei os passos e deu 110 passos, coisa de 80 a 90 metros. Então parti para soltar o freio mecânico. Soltei uma volta e fiz dois arremessos mais longe do que estava arremessando, cerca de uns 100 metros. Soltei mais meia volta e arremessei pouca coisa mais longe, mas nessa hora a praia foi invadida pelos gringos. Conversando depois com um casal deles constatei que eram espanhóis.

Pescando
Com a areia tomada, fui pescar com a carretilha arremessando contra o vento. Troquei a chumbada por uma FQ piramidal de 125g.
O vento soprando quase que do leste amortecia o arremesso com a carretilha mais que no molinete, mas pode ser por causa da linha. O molinete está abastecido com linha multi da marca PELAGIC 0,18 mm e a chumbada era a do mesmo tipo e peso da que estava usando na carretilha.
Fiz uns três arremessos com a carretilha e a vara com molinete bateu: Uma carapeba de 400g e logo em seguida, após ter reposto a isca e lançado, bateu outra carapeba de umas 300 g. E foi só.


Conclusão do terceiro dia
Nem por um minuto preocupei-me em cabeleira no dia de hoje. Fiz todos os arremessos no “feijão com arroz”, freando o carretel com o polegar quando o chumbo toca a água. Embora sem abrir ainda todo o freio mecânico, tenho certeza que chegarei lá rapidamente e já me considero um fã da carretilha. No verão, sem o “forte vento” de agora, tenho certeza que usarei muito.
Dentre as vantagens listo agora as principais:
  • Menor peso e volume a transportar. Uma grande vantagem nos casos de torneios.
  • Não torce a linha. Ao se usar linha monofilamento de baixa memória ela fica esticadinha, parecendo multifilamento, e não enrola sozinha.
  • Não precisa de leader usando linha  0,35, talvez até menos, pois não há impactos no arremesso como no molinete.
  • Maior precisão. Com ela é fácil acertar o buraco ou o canal.
Dentre as desvantagens:
  • Recolhimento lento e chato. A manivelazinha é ridícula.

Clique na figura abaixo aqui para ir ao Blog Milpesca

3 comentários:

  1. Parabéns pelo seu relato. Eu sempre pesquei de carretilha na praia e isso tem uns 15 anos. Já tentei usar molinete, mas não me acostumei. Também comprei essa carretilha MS Caster 5Bi 400. Gostei tanto que acabei comprando mais duas. Fiquei curioso com a linha Pelagic. Nunca havia visto. Dei uma olhada na Internet e vi que é uma marca Australiana. É boa?

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  2. Caro Amigo, obrigado. Apaixonei-me pela carretilha também.
    Usei a Pelagic por apenas três vezes. Não quero ser conclusivo com tão pouco uso mas seguem algumas observações: O nó de amarração com o leader de fluorcarbono (só usei no molinete) está firme e a linha está sem desfiar. Apenas o colorido, um vermelho vivo, esmaeceu um pouco. O preço foi ótimo (R$ 108,00) e dividi o carretel em quatro lances de 125 metros. Vou colocar um lance na carretilha.

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  3. Espero virar fã das carretilhas no surfcasting, após ser influenciado por um admirador deste equipamento com mais de trinta anos de experiência.
    Vou começar com uma Black Max 30 da Marine Sports que recebo na próxima semana.
    No baitcasting já consigo evitar as temíveis cabeleiras; vou seguir à risca as orientações do colega.
    Um grande abraço a todos e boas festas de fim de ano.

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