caiaque bahia

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sábado, 26 de novembro de 2011

Diário de Caiaque IV

Hoje fomos  novamente a Lagoa de Guarajuba eu, Lindinalva, Ana Luiza e Bruno. Eles estavam curiosos à respeito do caiaque que tenho tanto elogiado ao longo da sema.

Saímos por volta das 07h00 e de novidade temos novas pás de remo da Canoe, adquiridas de segunda mão, a amarração do caiaque por cinta com catraca, com uma volta no caiaque (dica do colega Guimarães, do fórum CB), uma caixa de tralhas adquirida no Atacadão da Estrada do Coco, um cabo deslizante para ancora, feito com material adquirido na loja Dumar, uma âncora tipo "guarda-chuva" adquirido na loja  Esportimar, as duas lojas na Conceição da Praia e montados com orientações do fórum Barracudateam, clique aqui para ver. Adquiri também um passaguá (puçá) que parece-me uma alternativa melhor ao alicate de contenção ou ao "bicheiro", e o novo colete da Sumax, esse com uma historinha que conto adiante.

Primeiro as fotos do caiaque preso ao rack com a cinta com catraca. A amarração ficou fácil, rápida e muito simples.

  



Lindinalva e Ana, comigo ao fundo. 
Ana Luiza adorou andar de caiaque


E o Bruno, idem. A facilidade do uso foi comentado pelos dois.


Eu fiquei tentando uma traíra ou tucuna, mas sem resultados.
Quem pegou peixes mesmo foi Lindinalva, após fazer uma armadilha com um garrafa pet, capturando várias piabas.

Usei as piabas capturadas como iscas vivas, mas também não tive sucesso.

Quanto ao colete, esse item tão importante, fiz o teste de flutuabilidade sugerido pelo colega Fabio_RJ neste post do fórum CB e confirmei que minha flutuabilidade é negativa, ou seja, não bóio nem a pau, Juvenal.

Sempre causei espanto nos exames biométricos anuais devido a minha densidade corporal, ou seja, aparento ser menos pesado do que sou. Credito este fato a ter sido amamentado até os dez primeiros meses de vida e às doses maciças de cálcio tomadas em 1968 após um acidente em que fraturei o fêmur e o joelho. Não sei se a Hemocromatose, excesso de ferro nos tecidos, diagnosticada há três anos, tem alguma coisa com isto.

Diante disto, ciente da importância do colete, adquiri um homologado pela Marinha antes mesmo do caiaque chegar. Como peso 93 kg, o que comprei foi para 100 quilos depeso. Na minha primeira remada com Juca, em um lago de água doce onde a flutuabilidade é ainda pior devido a densidade mais baixa da água, resolvi testar o colete da marca Ativa e foi um fracasso, o colete tende a sair pela cabeça e virar-me com o rosto para a água.  O Juca estava comigo, pesa menos de 80 kg e nele o colete ficou perfeito,  bem ajustado e confortável.

Minha teoria é a seguinte: além de minha flutuabilidade negativa, o fato de que em caiaque você fica sentado, recostado, amassando as células do colete, piora em  muito a capacidade do colete e pior é se a diferença de peso suportado pelo colete for pequena (de 93 para 100 quilos). Já no Juca, o colete ficou perfeito dado aos 20 kg de diferença. dele para mim. Se me perguntam hoje sobre coletes, recomendo que use um colete com capacidade para 20 kg acima de seu peso.

Pois bem, adquiri então um novo colete para 120 kg, modelo f-012 da Sumax, testei hoje e ficou perfeito. Simulei um desmaio com o rosto votado para a água e o colete desvirou-me em poucos segundos e manteve minha cabeça fora da água mesmo eu estando com roupa pesada de algodão e camisa de mangas compridas
Remei bastante e pinchei bastante e fiquei acabado,o que confirma a necessidade de voltar à academia. Joel, Ruy e Bigode, me chamaram para pescar hoje, mas vou descançar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pesca de Praia e Consciência Coletiva


"Conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria". Assim Émile Durkheim define a consciência coletiva na página 342 do seu livro Da divisão do trabalho social.

Ontem durante a quarta etapa do Torneio de Duplas do Clupesal, em Sauípe, tivemos uma prova cabal do que é tratado no livro acima, ou seja um ato que parecia isolado de dois indivíduos membros de um grupo ser uma forma padronizada de conduta e pensamento de um grupo.

Faltava meia hora para terminar o torneio quando uma de nossas varas dá um leve sinal que tem peixe. Corro, dou uma fisgada, e a vara verga violentamente. Aviso para o parceiro Marcelo que "este é o peixe do dia".  Comecei a recolher e há uns 30 metros enxerguei a silhueta do peixe na onda e comecei a dar risada.  Coloquei o peixe no seco e o motivo da risada era que o belo viola que acabávamos de retirar é uma especie que eu achava que estava protegida.
Fui confirmar com o André Barbosa e era mesmo. Há uma restrição quanto a pesca do viola. Paciência, em um dia em que se pescou pouco e pequenos peixes, este faria a diferença. Para pesá-lo deveríamos acondicioná-lo em uma saco ou caixa, levar ao local da pesagem e depois devolvê-lo ao mar. Mas como não tínhamos um aerador e a temperatura estava acima dos 30 º, o risco de morte do peixe seria alto. 

Como o parceiro pensa igual, fotografamos para lembrança, pesamos com o alicate de contenção e o liberamos. Fato semelhante já tinha acontecido comigo no semestre anterior com um cação martelo, que também liberei mas sem fotografar e pesar. Decidimos eu e o Marcelo que não iríamos defender os pontos.

Na hora da pesagem, veio a surpresa e de forma tácita, sem uma defesa de tese, o grupo considerou a captura válida, o que rendeu-nos a medalha do peixe de maior peso. Mas que satisfeito pela medalha, fiquei orgulhoso  pelo comportamento do grupo a que pertenço. 

Como houve um estabelecimento de um padrão para esses casos, a Equipe Filhos da Praia doará ao Clupesal uma balança digital portátil para ser utilizada nesses casos com a sugestão que durante os torneios esta fique com o pescar que esteja ao centro das raias e possa ser acessada pelos pescadores nesses casos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Diário de Caiaque III

Acordei hoje às 04:30 e fui para a varanda. Mal pude acreditar no que via: um céu com algumas estrelas, poucas nuvens e sem vento. É a primeira vez em dez dias que isto acontece em Salvador.

Às 05:00 mandei uma mensagem ao Juca avisando das boas condições e a resposta foi: "Oba. Estou saindo de casa!"

Às 05:45 ele chegou e rumamos para a lagoa de Guarajuba. Chegando lá, fomos para a Prainha, uma dica do colega Fábio Canto, praticamente um nativo de Guarajuba, e nos deparamos com esta bela imagem as 06h30min da manhã.

O Newbee, agora prestes a ser batizado na água, foi transportado com a popa voltada para a frente do carro, orientação dos colegas do Fórum Caiaque Brasil,  e mantivemos uma velocidade de cruzeiro de 80 km/h, sem qualquer problema.


E eis agora o batismo, meu em caiaque e do Newbee na água.

E logo eu já estava longe


E mais longe ainda, em uma ótima foto do Juca. Fiquei entusiasmado com a estabilidade e facilidade de condução do Barracuda, mesmo por um remador de primeira viagem como eu. Fixava um ponto ao longe, remava de encontro a este ponto e o caiaque necessitava apenas de pequenas correções, "mantinha a proa". Nada parecido com àquelas imagens de caiaques em que vemos a proa oscilando de 10 a 15 graus a cada remada. É claro que o fato de estarmos em uma lagoa ajudava bastante.  
A facilidade de manobrar é tão grande, que após apenas 20 minutos de caiaque,  fiz até "gracinha", encalhando de ré.
video

Em seguida foi o Juca

Juca deu a primeira volta e as impressões de foram iguais a minha: muito fácil, muito bom. Tanto que, logo em seguida, ele preparou a vara que levei com uma isca artificial dele e já estava pescando.  
 Até as 08h00 o Juca teve duas ações, de um tucuné pequeno, que curioso seguiu a isca, e uma "espanada" de um peixe maior, mas sem fisgar. Veja no vídeo abaixo a desenvoltura do companheiro Juca. Nem parece "recruta".



Troquei a isca por uma que tinha levado, fiz diversos lances, mas sem ações dos peixes. 

Chegou uma turma de 8 pescadores nativos, todos da mesma família, atravessaram para  a ilhota, e em menos de 20 minutos desistiram de pescar por total falta de ações dos peixes. 

Conversei também com o "limpador" da lagoa, um senhor em um bote de alumínio e que recolhia armadilhas para camarões. Ele relatou-me que a lagoa estava muito cheia e os peixes estava "muito espalhados" e que nessas condições a pesca só vai bem com iscas vivas.

Na saída, a obrigação ambiental. Recolhemos um saco de 30 litros de lixo, quase 10 quilos, deixado por pescadores de diversas camadas sociais (tinha embalagens da Perinni, uma famosa e cara delicatessem de Salvador, e garrafas de cachaça barata e limão).
Conclusão
Cara, é muito bom! Não pensei que seria tão fácil.
Aprendemos algumas coisas:
  • Mesmo em lagoa, não dá para ficar sem poita (âncora)
  • Tenho 93 quilos e o colete para 100 quilos que comprei é insuficiente, fica querendo sair pela cabeça, mas muito adequado para o Juca, 15 quilos mais leve.
  • Levar líquidos é importante. Tem que ter um "isopor" no caiaque.
  • O remo está muito grande, as mãos ficavam muito altas e espirrava água. 
  • É bom ficar em forma. É muito cansativo. Dei uma esticada de 300 metros, bem rápido, voltei rápido e fiquei bastante cansado. 
  • É bom ter opção de isca viva, camarão e piabinhas. Só isca artificial pode não ser o bastante
  • Amarrar o caiaque no rack do carro com corda é trabalhoso. Vou comprar cintas com catracas.
As fotos, na maioria, são do Juca, as outras,minhas.

Informação colocadas às 17h26min: O Juca, quase que simultaneamente, fez um post no Caiaque Brasil, clique aqui para ver.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Diário de Caiaque II

Se você não viu o post inicial, Diário de Caiaque, clique aqui para ver.

No post anterior,esqueci de comentar que durante a escolha do caiaque troquei várias opiniões com o Alessandro e o Juca. o Juca definiu-se também por um Barracuda, dois na verdade, um para Seu Vivi, seu pai,  e o Alessandro e o Gustavo ainda estão decidindo.




Transportando o Caiaque

Tenho o caiaque, e agora? 
Apesar de morar próximo ao mar, as condições aqui não recomendam a pesca ou passeio em caiaque, já que é "mar aberto" e a Pedra da Caveira, local com o "mar mais mexido" de Salvador é bem aqui ao lado. Se eu quiser usá-lo na enseada de Itapuan teria que transportá-lo por quatro quilômetros e forçosamente em um carro. E eu não estou pronto para uma saída ao mar, terei que treinar primeiro em lagoas e rios calmos.

Já que tem de ser de carro, tenho um probleminha devido ao tipo do meu carro: um jipe modelo Tracker, fabricado pela Suzuki  e que foi comercializado pela Chevrolet aqui no Brasil até o ao de 2009. Se não bastasse, o meu jipe ainda é especial, mais alto que os demais por ter a suspensão reforçada,  dado ao uso que faço dele. Veja abaixo a comparação dele com um Ecosport, que já não é um carro baixo.O que significa conforto e segurança nas trilhas, e que foi perfeito para viajar de Natal a Jericoacoara pela praia,  é um problema para transportar um caiaque. 
Descobri então qual o motivo da maioria dos caiqueiros terem preferência para o carro tipo hatch, sedan e  perua (station wagon): a altura para colocar o caiaque. Como dificilmente terei outro carro que não um jipe,   não adianta "chorar". Tenho que encarar.

Devido a altura e largura da viatura, mesmo com duas pessoas de estatura mediana o carregamento pela lateral é difícil. A opção é carregá-lo pelo fundo do carro e com a quilha para cima. Só que ai os acessórios de proa, popa e bordos vão "raspar" e estragar na carroceria e na travessa do rack. A solução então é carregá-lo com a quilha para baixo. Para piorar, se em 1976 eu tinha 1,71 m de altura, hoje são apenas 1,69 m.

Mas aprendi no Fórum CB que o transporte do caiaque não deve ser feito desta forma, apoiado pela quilha,  quando o caiaque tem quilha pronunciada, como Barracuda, já que ocorrerá uma deformação. Se estiver calor e ficar exposto ao sol, muito pior. Droga!

Procurei um rack que resolvesse o problema, mas um deles, bem caro, é adequado para canoas e caiaques  oceânicos e de corredeiras, com seção abaulada e não "chata" como um caiaque de pesca. O outro modelo leva o caiaque a 45 graus, mas como minhas travessas do rack são altas e o Barracuda é largo, a altura legal máxima permitida de 50cm seria ultrapassada e eu teria que tirar uma licença a cada transporte. No Fórum CB tem um ótimo post do Caiaqueiro Cunha com um bom debate da questão por parte dos caiaqueiros sobre a resolução que regula este transporte, clique aqui para acessá-la.


Para resolver a questão, adquiri um piso em EVA, desses de tatames, com 10mm de espessura (não achei um mais grosso) cortei em tiras com cerca de 9 cm e as colei sobrepostas, fazendo uma base para a travessa. Com o uso desta base, a quilha, quando muito, fica apenas encostada na tira de EVA.


Para fazer o teste, fiz sozinho o carregamento e amarração do caiaque. Aproveitei também para testar se a saída e entrada da garagem eram possíveis. Seguem as fotos.


Minha preocupação agora é com a área velica e ângulos de ataque, já que com a ação do vento a tendência  é que o caiaque "suba". Com certeza terei que baixar a velocidade de cruzeiro para 80 km/h, no máximo. Minha esperança é que dada a turbulência na parte inferior do caiaque, esta não gere uma força de elevação muito alta. 


Durante a semana farei a aquisição de cintas que permitam a amarração mais firme. 


Vou também submeter á apreciação do pessoal do fórum na busca de orientações.

  




domingo, 6 de novembro de 2011

Diário de Caiaque

Esta foi mais uma semana de chuvas intensas aqui em Salvador. Junto com as chuvas veio um resfriado que me pôs fora de combate por alguns dias. Então, de pesca de praia o máximo que fiz foi trocar alguns e-mails com amigos. Mas de pesca com caiaque, dei uma avançada boa e é o que passo a relatar nos próximos posts.

Esta semana, no dia 4, recebi o caiaque modelo Barracuda, fabricado pela Lontras, veja foto dele abaixo,  e farei um relato de como "cheguei" até aqui, no estilo que fiz quando me "aventurei" com as carretilhas.



A motivação
Os amigos Juca e os irmãos Gentil, Gustavo e Alessandro, pescadores do Clupesal, já há alguns meses me estimulam para conhecer um pouco sobre a pesca com caiaques. Em Setembro, convocado por eles, fui ao  II Grande Encontro do CB -Caiaque Brasil- em Salvador, que ocorreu na Ponta de Humaitá. Embora tenha ficado apenas meia hora e desencontrado deles, pois tinha um compromisso às 09h00 e eles chegaram depois desta hora, entusiasmei-me com a movimentação do pessoal que mesmo com a iminente "virada" do tempo permaneciam animados. Cheguei a perguntar a um deles, se iriam mesmo assim e a resposta foi: "Sim, claro!"

O Caiaque Brasil é um portal e fórum sobre caiaques e suas diversas aplicações e o Encontro está relatado lá em dois posts, um do nosso Juca e outro do Clay, um pescador de prancha.  Para vê-los, clique aqui e clique aqui. Fiz a inscrição no fórum e passei a acompanhar as dicas (o fórum é muito rico em informações), e os novos posts.
Outra motivação é a busca por um esporte que me obrigue a voltar à academia, de onde estou afastado desde de quando fiz tratamento radioterápico no pé. E o caiaque é uma motivação a isto. Mas jamais abandonarei a pesca de praia, até por uma condição geográfica.

Escolhendo a Embarcação
Segundo a Wikipédia, o caiaque nasceu na Groenlândia e a palavra caiaque significa "barco de caçador". Para escolher qual caiaque comprar, apoiei-me na NET e no Fórum Caiaque Brasil. 


Foi quando descobri que há entre os caiaqueiros uma dicotomia muito grande entre dois modelos: o Barracuda, fabricado pela Caiaque Lontras e o Hunter Fishing, fabricado pelo Brundden Náutica. Não que  outras marcas e modelos sejam ruins, ou melhores, mas essas duas são as mais escolhidas por eles.


Não adianta você perguntar aos caiaqueiros no CB qual caiaque você deve comprar, ou mesmo qual entre os dois mais usados, eles sempre dirão que você deve experimentar, e então escolher. O máximo que fazem é lhe destacarem as qualidades e defeitos de cada um, ou lhe convidam para um "test drive" no dele,  e deixam claro que o que lhe informam é a percepção deles. Fiquei surpreso com este enfoque, pois normalmente em fóruns, com raras exceções,  os participantes tratam às suas escolhas como dogmas e as defendem como a uma religião. 


E não é só para o caiaque, tente ver qual o colete salva vidas, ou de flutuação (aprendi lá no fórum que são coletes diferentes),  recomendado por eles e terá o mesmo tratamento de esclarecimento dos modelos disponíveis, dos pontos fortes e fracos. A escolha será sempre sua e respeitada. Achei isso maravilhoso, um grande sinal de respeito pelo contraditório e, consequentemente, de maturidade e inteligência. E olha que esse comportamento é uma coisa tácita, natural do  fórum e dos seus participantes, não está escrita. Espero estar à altura, agora que participo do fórum.


Pois bem, como poderei não me adaptar ao caiaque, preferi a compra de um dos modelos mais usados, pois é uma garantia de liquidez em caso de desistência. Estudei todos os dados técnicos dos dois e cheguei até a colocá-los lado a lado em uma figura com escala e com o meu logo pintado, feita a partir de figuras no site dos fabricantes. Veja a abaixo, o Barracuda é o amarelo:
A escolha é um "drama", acredite, já que os dois são excelentes e bonitos. Finalmente, devido ao melhor encosto para mim (sim, 54 anos não é brincadeira e as costas ganham preferência), e ao menor preço, escolhi o Barracuda. 


Continuará em próximo post.